Évora tem um conjunto monumental único que lhe valeu a classificação Património Mundial pela UNESCO, em 1986. Descubra aqui alguns dos mais emblemáticos.

SÉ-CATEDRAL

Edifício que remonta ao séc. XII, mas que sofreu grandes alterações no séc. XIII. Com claras semelhanças com a catedral de Lisboa, a sua linguagem arquitectónica denota uma harmoniosa composição dos estilos românico e gótico. A cabeceira da igreja foi reconstruída no séc. XVIII, ao estilo do barroco, pela mão do famoso arquitecto do Convento de Mafra, João Frederico Ludovice. No seu interior destacam-se, entre outros elementos, o altar de Nossa Senhora do Ó, (uma das imagens mais veneradas pelas parturientes e alvo duma antiga tradição eborense, segundo a qual se devia tocar o sino sempre que uma mulher desse à luz uma criança), a capela de Nossa Senhora da Piedade ou do Esporão, situada no topo do braço norte do transepto,  com um interessante portal renascentista, em mármore da Estremoz, o coro-alto do séc. XVI, erguido no séc. XVI, sob o patrocínio do Arcebispo D. Afonso de Portugal, com o seu cadeiral maneirista (da época do Cardeal D. Henrique) e, finalmente, o orgão de tubos de madeira de carvalho do séc. XVII, designado de Ibérico e mandado construir durante o arcebispado de D. Teotónio Pereira (1578-1602)  

 

MUSEU DE ARTE SACRA (ANTIGO TESOURO DA SÉ)

O actual Museu de Arte Sacra aproveitou para se instalar, em 2009, um edifício barroco contíguo à Sé, de relevante interesse histórico para a cidade de Évora - denominado Colégio dos Moços do Coro da Sé de Évora. Iniciado em 1700, por iniciativa do arcebispo D. Frei Luís da Silva Teles, este edifício albergou os meninos do Coro e seus mestres que tornaram famosa a Escola de Música da Sé de Évora, durante os sécs. XVI e XVII. Em estado de degradação para acolher a presente colecção, sofreu uma remodelação pela mão do arquitecto Carrilho da Graça. O acervo que se encontra neste museu é oriundo em grande parte do antigo Tesouro da Sé, o qual funcionava na torre da mesma, prolongando-se pela nave lateral. É composto por pintura, escultura, paramentaria, mobiliário, ourivesaria e alfaias litúrgicas. As peças provêm, maioritariamente, da Sé e de conventos extintos da cidade de Évora. Podemos destacar algumas peças, pela sua elevada qualidade artística, como a cruz-relicário do Santo Lenho - revestida por cerca de 1500 pedras preciosas (entre as quais se contam diamantes rosa, rubis, esmeraldas e safiras), a Virgem do Paraíso - tríptico em marfim, do estilo gótico francês, oferecido ao convento do Paraíso desta cidade por D. Isabel Afonso, apresentando esculpidas cenas ligadas ao Nascimento, Morte e Assunção da Virgem, o báculo do Cardeal D. Henrique, em prata dourada, do séc. XVI, entre outras peças que merecem toda a atenção do visitante.

 

TEMPLO ROMANO

Popularmente conhecido como Templo de Diana, por se ter especulado no séc. XVII que seria dedicado à Deusa romana da Caça, o templo romano é o verdadeiro ex-libris da cidade de Évora. De estilo coríntio, ergue-se na acrópole de Évora (ponto mais alto da cidade a 302 metros de altitude) e pensa-se que remonta ao séc. I d.C. Apesar da sua imponência não se encontra completo, pois foi parcialmente destruído no séc. V, aquando das invasões visigóticas, assim como foi utilizado como matadouro municipal na Idade Média. 

 

Será apenas no séc. XIX, pela intervenção do Arquitecto e cenógrafo Cinatti que serão retirados todos os acrescentos medievais ao templo, mantendo-se propositadamente apenas a estrutura em granito.  Embora mantenha o pódio, bem como 26 das colunas originais, faltam-lhe elementos como a arquitrave, o friso e o frontão. 

 

MUSEU DE ÉVORA

Situado na parte mais alta da cidade, entre o Templo Romano e a Sé de Évora, o Museu ocupa hoje o Palácio dos Bispos, cuja fundação remonta à Idade Média. Trabalhos arqueológicos levados a cabo em 1996, revelaram que se encontra sobre o pavimento do Fórum Romano, habitações do período islâmico e algumas sepulturas do séc. XII (hoje expostas sob passadeira de vidro, nos claustros). 

 

O Museu de Évora é interessante a diversos níveis, mas dois são particularmente importantes: em primeiro lugar, o Museu será fundado sob iniciativa do Arcebispo de Évora, Frei Manuel do Cenáculo (1724-1814), em 1805, isto é 12 anos após a fundação do Museu do Louvre (mas 14 anos após a criação do Museu de Beja, pelo mesmo fundador); e, em segundo lugar, o núcleo inicial das obras do museu eram compostas pelas colecções de Arte, Arqueologia e Naturália do seu fundador. 

 

O Museu de Évora reabriu em Junho de 2009, após nocessárias obras de renovação segundo o projecto do arquitecto Raúl Hestnes Ferreira. 

 

UNIVERSIDADE DE ÉVORA (Colégio do Espírito Santo)

A Universidade de Évora foi criada em 1551, sob o impulso do Cardeal-Rei D. Henrique, sendo um Colégio jesuíta onde se leccionavam Filosofia, Moral, Escritura, Teologia Especulativa, Retórica, Gramática e Humanidades, a missionários que haveriam de percorrer o Mundo. Foi a segunda Universidade a ser criada em Portugal, após Coimbra. 

 

No edifício do Colégio do Espírito Santo pode-se visitar o Claustro, com duas galerias sobrepostas de ordem toscana; a Sala dos Actos, de estilo barroco; os azulejos presentes nas salas de aulas nos Claustros, com referências a autores clássicos  como Platão, Virgílio, Aristóteles ou Arquimedes; a Igreja maneirista do Espírito Santo (séc. XVI); a Capela de Nossa Sª. da Conceição; e a antiga livraria (Biblioteca). A Universidade foi extinta em 1759 e reinstalada em 1979. 

 

PRAÇA DO GIRALDO, IGREJA DE SANTO ANTÃO e FONTE

Históricamente conhecida como Praça Grande ou Praça Maior, a Praça do Giraldo foi o local fora de muralhas (da antiga cerca) onde se realizava a feira franca eborense, no tempo do Rei D. Dinis. Com a criação da muralha fernandina (no séc. XIV), a cidade cresceu e a Praça assumiu-se como centro político (os antigos paços do concelho e a cadeia, onde é hoje o Banco de Portugal), religioso (com a Igreja de Santo Antão e aqui se faziam os Autos da Fé, nos tempos da Inquisição de Évora), comercial e social (festas, justas e touradas). 

 

A fonte como a Igreja foram mandadas erguer pelo Cardeal D. Henrique (séc. XVII), ficando a fonte situada sobre um antigo chafariz onde chegava a água trazida pelas fontes da Prata, a 18 km da praça, e que fica enquadrada pela fachada da Igreja de Santo Antão, que foi erguida entre 1557 e 1563 no local onde se erguia a Ermida gótica de Santo Antoninho. Santo Antão inspirou-se na tipologia das igrejas-salão do Renascimento. 

 

A uma das fachadas da Praça, por cima do Posto de Turismo, encontra-se o Paço dos Estaus, que o Rei D. Duarte mandou construir por volta de 1440, para aí albergar as embaixadores e delegações oficiais que vinham a Évora encontrar-se com o Rei e com a Corte. 

 

IGREJA DE SÃO FRANCISCO e CAPELA DOS OSSOS

Durante a dinastia de Avis, a partir de 1385, e com a chegada das riquezas do Oriente, Évora torna-se um importante centro político e residência frequente da Corte. Até então muitos reis passaram e permaceram na cidade e, com a destruição do antigo paço, o Convento de São Francisco (fundado em meados do séc. XIII), torna-se a nova residência da Corte . Assim, a actual igreja de S. Francisco será edificada a partir de 1443, sob o reinado de D. Afonso V, prosseguida por D. João II e concluída no reinado de D. Manuel I, foi construída sobre uma primitiva igreja gótica do século XIII. O seu estilo peculiar tardo-gótico alentejano é de expressão renascentista, em que na fachada destaca-se um janelão rendilhado e uma galilé, e sobre o pórtico bem ao estilo manuelino, encontram-se os emblemas régios dos fundadores: o pelicano (para D. João II), a esfera armilar e a cruz da Ordem de Cristo (para D. Manuel I, pois foi o primeiro Rei Grão-Mestre da Ordem de Cristo). 

 

No seu interior, a Igreja é de uma só nave, de dimensões surpreendentes (até de altura, para uma igreja de uma só nave), ladeada por capelas comunicantes. A Igreja de São Francisco foi capela palatina e, à direita do altar-mor, encontram-se as janelas que serviam para que os reis assistissem à missa, ficando de frente para o sacerdote, numa época em que a missa era de costas para os fiéis.

Ao lado ao entrada da Igreja de São Francisco, encontra-se a conhecida Capela dos Ossos,  um dos mais visitados monumentos da cidade. Situada na sacristia da igreja, foi construída no séc. XVIII no espírito da contra-reforma religiosa. O propósito é transmitir a mensagem da efemeridade da vida, conforme aviso sobre a entrada: "Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos". A capela é formada por 3 naves e encontra-se revestida de diferentes ossos e cerca de 5000 caveiras, provenientes dos cemitérios das igrejas e conventos da cidade.

Por entre esta peculiar decoração, as abóbadas estão pintadas com motivos alegóricos à morte. A capela era dedicada ao Senhor dos Passos, imagem conhecida na cidade como Senhor Jesus da Casa dos Ossos. 

 

TERMAS ROMANAS

As termas romanas que terão sido edificadas entre os séc. II e III, foram descobertas em 1987, quando se estavam a fazer obras no edifício da Câmara Municipal de Évora (Largo do Sertório). A sua área tem cerca de 300m2 e é composta pelo Laconicum, uma sala circular para os banhos quentes e de vapor, pelo Praefurnium que, com sua a fornalha, serviria de sistema central de aquecimento das outras salas, e a Natatioque é uma piscina rectangular ao ar livre, mas que não está visitável. 

 

AQUEDUTO

O Aqueduto da Água de Prata foi construído entre 1531-1537, sob o reinado de D. João III (1533-37), e teve como arquitecto Francisco de Arruda (responsável pela Torre de Belém, os Paços Reais de São Francisco de Évora, o Aqueduto da Amoreira, em Elvas, sendo-lhe igualmente atribuída a Casa dos Bicos em Lisboa, assim como a fase inicial do Palácio da Bacalhoa). 

 

O aqueduto tem uma extensão total de 18 km, desde a sua fonte, na Graça do Divor, recuperando parcialmente o traçado de um antigo aqueduto romano, levando assim a água por gravidade a diversas fontes na cidade: fonte do Chão das Covas, na primitiva fonte da Praça do Giraldo (um chafariz encostado a um arco romano, no local da actual fonte),  e o fecho real do Paço Real de São Francisco (destruído em 1873) . 

 

Actualmente existe um percurso pedestre que acompanha o aqueduto, na sua parte rural, onde é em parte subterrâneo, e na sua parte urbana, pela rua do Cano, Largo de Camões, rua do Salvador, rua Nova até à Praça do Giraldo. A sua entrada na cidade faz-se pela rua do Cano, onde residências populares aproveitaram os vãos do aqueduto.

Mais informações sobre o Percurso da Água da Prata, no Posto de Turismo. 

 

PAÇO e GALERIA DO PALÁCIO CADAVAL

O Palácio dos Duques de Cadaval situa-se na parte nobre da cidade, junto ao Templo Romano e pertence, desde a sua fundação, à família dos Duques de Cadaval, ainda hoje. O palácio é construído no séc. XIV e assenta sobre a muralha do antigo Castelo de Évora, combinando os estilos gótico, mudéjar e manuelino. Uma das curiosidades visíveis do exterior do palácio é a torre pentagonal, popularmente apelidada de "Torre das Cinco Quinas". 

 

Actualmente o Palácio acolhe nos seus espaços exteriores um jardim e restaurante, assim como uma galeria onde está exposta uma colecção de escultura, pintura e armaria, com peças desde o séc. XV ao séc. XVIII. Recomenda-se igualmente a visita ao panteão familiar que se encontra na singular Igreja de São João Evangelista (junto à Pousada de Évora). Os Duques de Cadaval promovem, desde 1994, um festival de música no início do mês de Julho - o Festival Évora Clássica, que se transformou numa mostra de diferentes estilos musicais mundiais, tradicionais e contemporâneos. 

 

FÓRUM EUGÉNIO DE ALMEIDA e CASAS PINTADAS

Sendo um dinamizador educacional, cultural e social da cidade de Évora, a Fundação Eugénio de Almeida dispõe de uma espaço de excelência para expressar a sua vocação estatutária: o Fórum Eugénio de Almeida. É um espaço que acolhe diferentes actividades culturais, como exposições de pintura, de escultura, entre outros, assim como possui um auditório para 156 pessoas, uma sala multiusos com 70 lugares, sala de conferências, loja e cafetaria.

Ao lado do Fórum Eugénio de Almeida, um portão separa a Rua Vasco da Gama de um pátio interior com jardim, que abriga sob uma arcaria um conjunto de frescos profanos e sagrados (numa capela) renascentistas, popularmente conhecidos como "Casas Pintadas". 

 

Após alguma controversa sobre a atribuição da propriedade desta casa ao navegador Vasco da Gama, o seu construtor terá sido um nobre, poeta, que viveu na Corte de D. Manuel. A originalidade e a fantasia dos elementos pintados, onde se reconhece temas faunísticos, como florais assim como mitológicos (mulheres centauro) justificam amplamente uma visita. 

 

CROMELEQUE DOS ALMENDRES (a 12km de Évora, em direcção de Montemor)

A cerca de 12 km de Évora, em direcção a Montemor-o-Novo, encontra-se (depois de se atravessar a aldeia de Guadalupe) este importante monumento megalítico, identificado em 1966 pelo arqueólogo Henrique Leonor Pina. Era inicialmente constituído por mais de uma centena de monólitos, resultantes de diversas fases construtivas, ao longo do Período Neolítico (V e IV milénios a. C.) - um dos mais conhecidos monumentos megalíticos do Mundo, Stonehenge, remonta ao III milénio a.C. 

 

O conjunto megalítico é composto por dois recintos: o mais antigo, na parte mais alta, apresenta-se em forma de círculo constituído por 24 monolítos; enquanto que o mais recento, na parte mais baixa da encosta, era inicialmente composto por 95 menires colocados em elípse, onde foram posteriormente colocados outros menires com gravuras em relevo.

É possível visitar este monumento de bicicleta, de carro ou em visita guiada a partir de Évora, com acompanhamento de um arqueólogo - ver aqui (em inglês). 

 

ANTA DO ZAMBUJEIRO (cerca de 12km de Évora, em direcção das Alcáçovas)

Outro importante monumento megalítico no concelho de Évora é a Anta Grande do Zambujeiro, também ela situada a cerca de 12Km de Évora, perto de Valverde (estrada nacional Évora-Alcáçovas ou estrada municipal a partir de Guadalupe), na Herdade da Mitra (polo da Universidade de Évora).  Foi descoberta em 1964, também pelo arqueólogo Henrique Leonor Pina.

A Anta é um dos maiores monumentos megalíticos da Península Ibérica e foi construída entre os início do IV milénio e meados do III milénio a.C. tendo continuado a ser utilizada pelas comunidades agro-pastoris do Neolítico, durante séculos (até à Idade do Bronze,  por volta 1.500 a.C., isto é foi utilizada por mais de 2.000 anos) como local de enterramento dos seus mortos, assim como servirindo de santuário. Nas escavações realizadas encontraram-se um vastíssimo espólio, actualmente depositado no Museu de Évora, como cerâmica, pontas de setas, machados, pedras gravadas, joalheria pré-histórica.

A Anta encontrava-se totalmente recoberta por terra, facto que explica apenas ter sido tão tardiamente descoberta, e é composta por um corredor de 12 metros que leva a uma câmara funerária construída com 7 longos esteios de granito, com cerca de 5 metros de cumprimento, sobre os quais estava colocada uma laje, o que faz com que o diametro desta câmara tenha 50 metros.

É possível visitar este monumento de bicicleta, de carro ou integrada na visita guiada ao Cromeleque dos Almendres, com acompanhamento de um arqueólogo - ver aqui (em inglês). 

 

 

ECOPISTA (a partir da cidade, em direcção a Arraiolos)

A ECOPISTA constitui o principal percurso pedestre que passa pela cidade de Évora, utilizando o antigo ramal ferroviário para Arraiolos e Mora. Na zona urbana, a  ECOPISTA é em tapete de betão betuminoso, para permitir a sua utilização a pessoas com mobilidade reduzida.

Desenvolvendo-se desde o Chafariz d'El Rei, em Évora, até à Herdade da Sempre Noiva, numa trajecto de cerca de 21km, tendo depois continuidade nos concelhos de Arraiolos e Mora, numa extensão total de 60km. 

 

Parte da ECOPISTA é utilizada no Percurso da Água da Prata, já referido. Mais informações sobre a ECOPISTA, no Posto de Turismo.

 

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Edição: Pensão Policarpo

Revisão: Marta Nunes Ferreira (Historiadora de Arte)