ARRAIOLOS - Terra do Tapete
A povoação já existia no séc. XII, chamando-se nessa época Arriolos. Segundo Fialho de Almeida (1857-1911, escritor e jornalista), havia no séc. XVII e seguinte uma indústria caseira de tapetes fabricados à mão por mulheres, a duas ou três cores de lã rudimentar, mais ou menos inspirados em padrões de tapetes persas e sobre alguns panos murais de fábrica romana. Apesar de haver vários exemplares antigos em museus portugueses, é díficil definir uma origem consensual para esta tradição, sendo os primeiros exemplares reconhecidos como Tapete de Arroiolos do séc. XVII.
No entanto, parece não haver dúvidas sobre a utilização do tapete persa e do oriental como modelos para a criação do tapete de Arraiolos. Apesar de existirem há mais de 2500 anos, os tapetes orientais só começaram a chegar à Europa depois do séc. XIII e, sendo muito valiosos, eram colocados sobre mesas ou arcas, para servirem de assento, por vez de serem estendidos no chão. O Tapete de Arraiolos surge então em pleno período manuelino, com base na abertura de Portugal ao Mundo.
O Tapete de Arroiolos é o maior património vivo desta cidade alentejana, e hoje é-lhe dedicado anualmente uma festa no mês de Junho - "O Tapete está na Rua".
Para além dos seus belos tapetes, Arraiolos tem, também, para oferecer monumentos de grande interesse patrimonial, como acontece com o Castelo e a actual Pousada, reconversão dum antigo Convento dedicado a Nossa Senhora da Assunção e, ainda, a igreja da Misericórdia.
O Castelo erigido nos alvores do séc. XIV revela uma linguagem arquitectural que estabelece a ponte entre o Estilo Românico e o Gótico. No seu interior pode-se, observar a antiga igreja paroquial, igualmente do séc. XIV.
O Convento de Nossa Senhora da Assunção (actual pousada) constitui um complexo onde se denota uma harmoniosa estratificação de estilos de diferentes épocas, sendo preponderantes o Estilo Manuelino da igreja e o Barroco do restante complexo conventual.
A igreja da Misericórdia constitui um monumento de estilo maneirista e Barroco, apresentando em termos planimétricos uma nave única, uma capela-mor e uma sacristia. De notar na bela torre sineira e no altar de talha dourada que reveste o altar-mor.
